Brincar na rua

Brincar na rua

13 de Abril, 2021 1 Por Pai paratodaaobra

“Os presos têm mais tempo livre fora da cela do que as crianças no dia a dia”.

Isto lido assim, é assustador. Quem o afirma é Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa. Podem ler o artigo publicado pela resvista Visão, em Dezembro de 2020, sobre o livro (“Libertem as crianças”), que lançou em Janeiro deste ano, aqui: https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2020-12-05-os-presos-tem-mais-tempo-livre-fora-da-cela-do-que-as-criancas-no-dia-a-dia/

Nesta entrevista, o professor afirma, ainda, que “A decadência é de tal ordem que a rua como local de jogo está em vias de extinção. Antigamente, saíamos da escola e íamos para a rua brincar com os amigos até a mãe chamar para jantar. Hoje, as crianças não sabem o que são pirilampos, porque nunca saíram depois de escurecer. Não há mais perigo agora, somos dos países mais seguros do mundo.”

Esta é, seguramente, uma luta, uma preocução de vários pais e várias mães que, na correria do dia a dia, se deparam com a dificuldade de levar @s filh@s ao jardim, ao parque, à rua para brincar. Sobra, muitas vezes, o ipad, o telemóvel ou qualquer outro gadget que nos dá, a nós educadores, a sensação de estarmos a fazer alguma coisa pelo lazer dos nosso filhos.

Ao longo dos últimos dias partilhei várias imagens, nas redes sociais, do Duda a brincar – sozinho ou com amig@s – na lama, no quintal do avô e da avó, no jardim. Não quero assumir um papel moralista, nem pouco mais ou menos. Mas aqui em casa, esforçamo-nos para que “a rua” seja uma rotina, diária, na vida do Duda. Ele sabe que pode sujar-se, arrastar-se na terra e na lama, construir o que lhe apetecer e que a sua imaginação ditar. E tem-nos corrido muito bem. O Duda “puxa pela cabeça”, é criativo, adora a natureza, explora limites em ambiente de risco controlado e supervisionado por nós.

Na imagem deste texto, o pai Miguel e o Duda andaram a explorar no jardim da estrela e o resultado foi a origem de uma BD que o Duda adorou fazer e que nos pediu para imprimirmos para levar para a escola. E quer fazer mais. Quer escrever mais estórias da sua história. E nós também queremos.

E quisemos, também, partilhar isto convosco. Porque está nas mãos de tod@s nós, alterar o rumo que a sociedade está a tomar. Sem culpa, sem sobrecarga. Nem sempre é possível. Mas às vezes, é. E sempre que for, façamo-lo. Pel@s noss@s filh@s e pela socidade que queremos deixar-lhes. Para fazermos as nossas crianças felizes, às vezes basta alguma disponibilidade e uma boa dose de imaginação.

(para quem quiser usar a ideia, a app que o Miguel usou, chama-se comic strip)