O telefone toca pela primeira vez. Ai que nervos… – Episódio 7

O telefone toca pela primeira vez. Ai que nervos… – Episódio 7

25 de Maio, 2021 1 Por Pai paratodaaobra

É verdade, o telefone tocou. E a história de como tudo aconteceu é, quanto a mim, mágica.

Em Agosto de 2018, estava eu no meu paraíso, o local onde passo férias e que adoro e senti a necessidade de me manifestar sobre esta espera pela criança. Na altura não havia nenhuma previsão, nem sabia se seria uma ou duas crianças.

E escrevi um post no meu instagram pessoal, onde fazia referência ao facto de me sentir pronto para esta tão ansiada chegada. Podem ler esse post, aqui. O pano de fundo da minha inspiração, era a imagem que aqui partilho convosco.

Depois de o escrever fui para a praia. Era um desabafo e estava feito.

Mais ou menos duas horas depois, fui ao bar tomar um café sozinho. Enquanto lá estava, tocou o telemóvel. Não reconheci o número. Atendi. Era da Santa Casa. Do outro lado aquela voz tão familiar… “Gonçalo, pode falar um pouco agora?”

Tremi da cabeça aos pés, não sabia o que fazer. Se me levantava, se andava pela praia, se bebia o café.

Explicaram-me, então, que não era comum fazerem isto, mas dada a minha insistência para que, na dúvida, falassem comigo, decidiram fazê-lo. Não era ainda o telefonema em que nos dizem “foi a família escolhida”. Então era o quê?

Com este telefonema pretendiam perceber se eu estava disponível para um conjunto de situações concretas, daquela criança em particular e se, para mim, faria sentido que a minha candidatura fosse enviada ao CNA como resposta para esta criança.

Pedi que me fosse enviada a informação disponível sobre a situação relatada para que eu pudesse discutir em família e também com profissionais que pudessem dar-me uma opinião credível.

Escusado será dizer que o que se seguiu foi um misto de emoções entre o querer dizer que sim e a racionalidade de saber que precisava de ajuda para tomar esta decisão. O resto da família chegou à praia, entretanto, e o tema dominante foi, claro, este telefonema.

Sabem aquela metáfora do anjinho num ombro e do diabinho no outro com opiniões opostas. Acho que estávamos tod@s, mais ou menos, a sentir isso. Havia uma vontade de festejar mas, em bom rigor, não havia nada para festejar ainda. Primeiro porque eu ainda não tinha a minha decisão tomada e depois porque, mesmo que eu dissesse que sim, o CNA podia – legitimamente – entender que havia outra candidatura mais qualificada para aquela criança.

Passaram cerca de 24 horas e eu devolvi a chamada. Disse que sim, que podiam avançar. Lembram-se da “Boca seca, pernas a tremer, ansiedade “aos gritos””? Ganhou todo um novo significado e toda uma nova dimensão, na minha vida, a partir daquele dia.

Agora eu sabia que podia estar para acontecer muito brevemente. Mas também sabia que podia não acontecer nada. Como se gere tudo isto? É o que vos contarei, já no próximo episódio.